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| Fonte: internet |
Eu demorei para entrar na faculdade. Prestei vestibular 4 vezes (Biologia, Biologia, Administração, Letras). Não estudei em nenhuma delas e, obviamente, não passei. Mas, hoje, vejo que isso foi bom. Não tinha ideia do que queria da vida. Em 2010, estava sem emprego e sem perspectivas. Para alguns, isso é ruim. Para mim, era o momento de decidir fazer qualquer coisa que eu quisesse.
E pensei... Pensei... Cogitei... Pesquisei... E, sem mais delongas, optei pelo Jornalismo. Estava em dúvidas entre PP e Jornalismo, já que sempre curti cinema e queria ter contato com esta área. O Jornalismo me pareceu mais abrangente e, confesso, o suposto glamour da profissão me envolveu.
2011. Primeiro dia de aula. Sala cheia. Todo mundo tímido. Apresentação do curso. Lindo! Conhecer a infraestrutura. Meu Deus, estou no paraíso!
Primeiras aulas, primeiras provas e trabalhos. Primeiras noites em claro. Primeiros litros seguidos de café. E tudo continuava lindo. Segundo período... Terceiro período... Quarto período... Quinto período. A maioria largou o curso. Professores vieram e foram. Deixaram suas marcas (para o bem ou para o mal). E o Jornalismo continua LINDO! Apaixonante! Viciante! A comunicação é fascinante. A teoria é linda! Já a prática...
Há um tempo venho tentando colocar em palavras o que penso sobre a ideia de que o "Jornalismo está morrendo". Não, amiguinhos. Não está. E lendo um texto publicado na última semana eu consegui vislumbrar um vulto deste corporativismo maldito que se apodera cada vez mais da função do jornalismo (sei que corro o risco de parecer comunista, O QUE NÃO SOU, mas o corporativismo é mesmo um grandessíssimo FDP, neste caso). Esta prática chamada de Jornalismo, mas feita para gerar lucros (tão somente) me fez brochar com relação à profissão. Se isso é ser jornalista, eu agradeço, mas passo. Só que, adivinhem? Isso não é o jornalismo em si, apenas um "modelo comercial de distribuição de informação".
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| Fonte: internet |
Em seu texto "O Ficaralho", publicado no blog Casca de Besouro, Bruno Tortura fala sobre esta fundamental diferenciação entre o que, de fato, é jornalismo, e o que é apenas uma forma (decadente e burra) de distribuir informações. Sem mais delongas, segue o texto.
"Um Passaralho só não traz o inverno: Estadão, Trip, Folha de S.
Paulo, Record. Todas empresas demitindo de uma vez dezenas de
jornalistas e profissionais de mídia nas últimas semanas… e ainda
aguardamos o profetizado Passaralho da Abril que, pelos rumores, vai
decepar até 1000 funcionários e 10 títulos da editora. O que, tantos
acreditam, vai levar à mendicância os já paupérrimos frilas. “RIP
Jornalismo”, é o que tenho lido e escutado dos colegas nas redes e
botecos.
Mas vamos apurar essa história direito…
É o jornalismo em si que está moribundo? Ou o modelo comercial de distribuição de informação?
É o ofício de catalizar o diálogo público com fatos e opiniões que está com os dias contados? Ou o pensamento analógico, ganancioso, baseado em números de circulação e venda de publicidade?
Não estaremos confundindo, reféns da tediosa periodicidade de publicações e salários, jornal com jornalismo?
É o ofício de catalizar o diálogo público com fatos e opiniões que está com os dias contados? Ou o pensamento analógico, ganancioso, baseado em números de circulação e venda de publicidade?
Não estaremos confundindo, reféns da tediosa periodicidade de publicações e salários, jornal com jornalismo?
Para mim, há uma maneira mais interessante, e realista, de entender a revoada dos Passaralhos.
Já vi e vivi demissões coletivas. E, aos poucos, deu para notar uma
mudança crucial no Day After. Antes os deprimidos, os arrasados, os
desamparados eram os que perderam a vaga. Eram como se tivessem sido
explusos de uma festa que iria seguir sem eles. Hoje, a tristeza está
bem mais do lado de quem ficou. Como se a festa estivesse, e está, do
lado de fora.
Semana passada vi a alegria de amigos que perderam juntos o emprego,
animados pela fronteira aberta. E vi a depressão, literalmente o choro
dos que sobraram na redação, agora acumulando funções, fazendo o
trabalho de 3, repetindo uma rotina que não parece ter qualquer
propósito senão o precarizado salário. Ficou claro para mim.
As demissões são, na verdade, Ficaralhos. Se fode quem fica.
As demissões são, na verdade, Ficaralhos. Se fode quem fica.
Creiam… Não é necessariamente uma tragédia ter tantos, e bons,
jornalistas na rua sem muita chance de voltar a um emprego formal tão
cedo. Pode ser, ao contrário, uma excelente notícia. O ambiente
perfeito, na ausência de gabinetes e editores, para o jornalismo se
reencontrar na rede e nas ruas. Há o potencial de uma idade de ouro da
reportagem hoje em dia.
A consolidação das redes sociais, o hiperfluxo de informação, o
streaming e a emergência de uma massa conectada pronta para repercutir e
compartilhar notícias e histórias, deu ao veículo tradicional um papel
cada vez mais dispensável. Mas pede ao repórter, ao fotógrafo, ao
designer, ao colunista um papel cada vez mais ativo de oferecer
matéria-prima e contexto para o diálogo público. Ao se confundir com um
nome no expediente, ao se condicionar ao falso conforto de um salário, o
jornalista vira às costas ao seu maior ativo, a autonomia. E acaba no
confortável e cínico papel de vítima da “morte do jornalismo”.
Para mim uma coisa é clara: a rede vai matar o jornal para salvar o jornalismo.
Ok. Tudo muito bonito, muito estimulante. “Mas e o dinheiro”,
perguntam os colegas, “onde está?”. Uma coisa eu garanto: não está nas
redações. O pouco que sobrou não vai dar nem para a janta.
Eis a parte mais arriscada, e inevitável, da missão dos filhos do
Passaralho. Criar um novo mercado para sustentar suas famílias e
reportagens a partir da lógica de compartilhamento. Sem o antes
conveniente e inevitável, a agora parasitário e dispensável, publisher.
Tenho certeza que é esse o sentimento, intuitivo ou não, de riscos e
possibilidades que está dando essa felicidade súbita aos demitidos."
Entendeu? Não é o jornalismo que está morto. Por isso, há uma luz no fim deste túnel.
"A esses eu faço o convite:
Semana que vem, terça-feira, dia 11 de junho, vou ajudar a promover
junto com o Fora do Eixo e do Existe Amor em SP, uma reunião aberta com
profissionais de mídia, desempregados ou a fim de se desempregar, para
apresentar um projeto que vem sendo elaborado em fogo brando há mais de
um ano. E que agora está no ponto para receber todos os que se animarem
com a ideia: NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação).
Um grupo de comunicação amplo e descentralizado, a fim de explorar as
possibilidades de cobertura, discussão, repercussão, remuneração e da
radical liberdade de expressão que a rede oferece. Streaming, impressos,
blogs, fotos, debates públicos sem o fantasma do lucro e do crescimento
comercial como condições primordiais para o trabalho. Por enquanto,
nosso melhor investimento é entender a frequente e saudável relação
inversa entre saldo bancário e propósito.
Quem estiver a fim de conversar por favor me escreva e fique de olho
nas minhas redes. Logo divulgo local e horário dessa primeira reunião."
Sim! Fiz propaganda do evento porque acredito que (só) é possível fazer jornalismo de verdade fora da grande mídia. Este jornalismo de essência, aquele jornalismo citado por Ciro Marcondes Filho em seu livro A Saga dos Cães Perdidos. Cães estes que estão cada vez mais cabisbaixos por conseguirem uma carreira meteórica na grande mídia, mas cada vez mais afastadas da arte do jornalismo de verdade.
Se eu optar pela atividade jornalística um dia, quero ser uma baita de uma cachorra, bem encontrada, daquelas que fazem questão de deixar seu recado para os desavisados pisarem e sentirem o cheiro que emana de um jornalismo bem feito.


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