“Com 270 mil assinaturas contra,
ainda assim corre o risco da PEC [da impunidade] ser aprovada. Que poder que o
povo tem?”
Este foi o questionamento de uma
amiga hoje pelo facebook. “Que poder o povo tem?”. Parece que nenhum, né? Eu,
por vezes, me sinto impotente diante de tanta corrupção, impunidade, situações
vergonhosas acontecendo debaixo dos nossos narizes e nós preocupados com o
final da novela das 20h.
Turquia, Egito, Síria... Exemplos de
luta pela liberdade, luta por seus direitos, luta contra as insatisfações. E no
Brasil?
Pois eu vou escrever sobre o Brasil:
Petições on line contra Renan
Calheiros obtiveram quase 2 milhões de assinaturas. O que a maioria diz? ESSAS
PETIÇÕES NÃO VALEM NADA!
Passeatas contra a corrupção não
contam com mais de 100 pessoas. Por quê? EU NÃO VOU NESTAS PASSEATAS QUE NÃO VÃO
MUDAR NADA!
Manifestações contra o aumento do
preço da passagem do transporte coletivo em SP. SÃO UM BANDO DE
DESOCUPADOS, VÂNDALOS, BADERNEIROS.
Aí, em uma roda de amigos, estes
mesmos “destruidores” da vontade de mudar dizem em alto e bom som (para
parecerem minimamente seres humanos): O BRASIL ESTÁ COMO ESTÁ PORQUE NINGUÉM
FAZ NADA.
Oi?!
Voltando ao questionamento da minha
amiga. Nós, o povo, temos duas formas de poder. O primeiro é o voto, que deve
ser exercido com a consciência do valor que ele tem. Votou e o cara só faz
cagada no poder? Não se preocupe. Você tem o segundo poder: COBRAR! Fazer
algazarra. Gritar. Espernear. Isso tudo para, pelo menos, ser ouvido em seu
direito de cidadão.
Espero, do fundo do coração, que as
manifestações só aumentem e só parem quando a resposta do Estado for outra que
não a violência. Quando tivermos espaço para expor idéias e quando formos
ouvidos com um mínimo de dignidade.
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