quarta-feira, 12 de junho de 2013

Natação Especial


Eliana Patrícia Pereira é professora e trabalha com deficientes físicos e mentais há vinte e dois anos, tendo iniciado numa época em que este tipo de atividade não era comum ou mesmo bem compreendida. Sua primeira aluna com Síndrome de Down representou um desafio que a fez buscar capacitação, pois “cuidar, sem desenvolver potencialidades era o mais comum nas escolas”, e, para atingir sua meta, começou a desenvolver projetos nesta área, tendo montado os Jogos da Inclusão, realizados anualmente.

Na UniBrasil, um projeto de extensão atende atualmente 53 alunos, agregando autistas, deficientes mentais e deficiência motora, que nadam e fazem atividades aquáticas sob supervisão de Eliana.

Esta é uma reportagem especial que fiz em parceria com minha colega Emily Kravetz (www.fabricadejornalistas.blogspot.com), sob a orientação da Profª Elaine Javorski.

No exterior, são heróis. Aqui, são vândalos.

“Com 270 mil assinaturas contra, ainda assim corre o risco da PEC [da impunidade] ser aprovada. Que poder que o povo tem?”

Este foi o questionamento de uma amiga hoje pelo facebook. “Que poder o povo tem?”. Parece que nenhum, né? Eu, por vezes, me sinto impotente diante de tanta corrupção, impunidade, situações vergonhosas acontecendo debaixo dos nossos narizes e nós preocupados com o final da novela das 20h.

Turquia, Egito, Síria... Exemplos de luta pela liberdade, luta por seus direitos, luta contra as insatisfações. E no Brasil?
Pois eu vou escrever sobre o Brasil:

Petições on line contra Renan Calheiros obtiveram quase 2 milhões de assinaturas. O que a maioria diz? ESSAS PETIÇÕES NÃO VALEM NADA!

Passeatas contra a corrupção não contam com mais de 100 pessoas. Por quê? EU NÃO VOU NESTAS PASSEATAS QUE NÃO VÃO MUDAR NADA!

Manifestações contra o aumento do preço da passagem do transporte coletivo em SP. SÃO UM BANDO DE DESOCUPADOS, VÂNDALOS, BADERNEIROS.

Aí, em uma roda de amigos, estes mesmos “destruidores” da vontade de mudar dizem em alto e bom som (para parecerem minimamente seres humanos): O BRASIL ESTÁ COMO ESTÁ PORQUE NINGUÉM FAZ NADA.

Oi?!

Voltando ao questionamento da minha amiga. Nós, o povo, temos duas formas de poder. O primeiro é o voto, que deve ser exercido com a consciência do valor que ele tem. Votou e o cara só faz cagada no poder? Não se preocupe. Você tem o segundo poder: COBRAR! Fazer algazarra. Gritar. Espernear. Isso tudo para, pelo menos, ser ouvido em seu direito de cidadão.

Espero, do fundo do coração, que as manifestações só aumentem e só parem quando a resposta do Estado for outra que não a violência. Quando tivermos espaço para expor idéias e quando formos ouvidos com um mínimo de dignidade.

Humor nosso de cada dia

Não é exatamente novidade minha veneração pelo humor. Desde piadas do tipo "o que é um pontinho..." até piadas que ninguém tem coragem de contar, mas todo riem mentalmente. Na verdade, gargalham.

E acho, realmente, que o brasileiro tem o dom de fazer piada com absolutamente tudo. Acho, até, que este é o nosso "cano de escape" diante das barbáries que vemos todos os dias: violência, corrupção, impunidade, fome, descaso, etc, etc, etc. A lista é enorme mesmo.

Pensando nisso, selecionei meus 5 vídeos de humor crítico favoritos. Eis os vencedores...


Rafinha Bastos, com seu humor bastante característico, explica que, para tirarmos o país das mãos dos nossos excelentíssimos políticos Filhos da Puta, é preciso acreditar na honestidade de alguns políticos. Mesmo que poucos.


Sim, de novo. Aqui, Rafinha satiriza o movimento Gota D'Água, encabeçado por uma penca de atores globais que nunca deram a mínima pra nada e, de repente, se tornaram ativistas. #EuCurti



Sei que posso ser duramente criticada por este vídeo, mas eu realmente TÔ CAGANDO! Aliás, sugiro uma reforma educacional para que passem a nos ensinar, também, esta teoria sobre o Ciclo da Vida, do excelentíssimo Porta dos Fundos.

Quem nunca passou por um perrengue pra conseguir qualquer coisa das empresas de telefonia móvel? Pois é! Porchat dá vida aos desesperos silenciados de milhões de brasileiros. Do canal Anões em Chamas, um parente não tão distante do Porta dos Fundos.


Por último, o melhor. Com aquela acidez e sarcasmo que tanto amo, eis uma propaganda turística sobre o nosso (atualíssimo) Brasil. Vem, gente! Venham morrer no Brasil!!


TV: um perigo para a democracia



Super recomendo o livro "Televisão: um perigo para a democracia". Publicado em 1995, a obra conta com um artigo de John Condry sobre a influência da TV na formação das crianças e com uma entrevista bastante interessante com o filósofo austríaco (naturalizado britânico) Karl Popper, que traz uma proposta bem interessante para solucionar o “poder desenfreado da TV”, que, segundo ele, é anti-democrático.



Separei alguns tópicos bem interessantes do livro:
  • “Educamos nossos filhos para a violência através da comunicação de massa.”
  • A TV, ao mesmo tempo que é a expressão de um princípio de liberdade, traz danos sociais:
    • Influência sobre comportamentos
    • Concorrência com escola e família
    • Distorção do debate público
    • Inflação dos mitos
  • Para Popper, a TV é como a guerra: Ambas geram perturbações e a perda de sentimentos normais, corolários de um mundo bem organizado
  • Crianças já não mais socializam e interagem, mas baseiam seus valores e visão de mundo pelo que vêem na TV. Só que, diferente de um adulto, as crianças não têm capacidade total de separar realidade e ficção.
  • Como, então, controlar o poder da TV em um ambiente liberal?

Se você também é daqueles que se incomoda com o conteúdo televisivo e com desculpas esfarrapadas do gênero "fazemos programas assim porque o povo quer", então você não pode deixar de ler este livro. Recomendo!

Sai de Baixo está no ar!



Estreou ontem, 11, os novos episódios do humorístico Sai de Baixo, no canal de TV a cabo Viva.

Foram produzidos 4 novos episódios com alguns dos integrantes originais do seriado: Aracy Balabanian, Luis Gustavo, Miguel Falabella, Marisa Orth e Marcia Cabrita, além da direção de Denis Carvalho. Os programas fazem parte da comemoração de 3 anos do canal a cabo.

De "tenho horror a pobre", passando por "cala a boca, Magda", a impressão que eu tive é que eles nunca saíram do ar. Confesso que parece menos engraçado do que era há 11 anos. A gente cresce e a ideia de humor vai mudando. Mas ter de volta, mesmo que temporariamente, as peripécias desse grupo é, no mínimo, uma delícia.

Todos mais velhos e mais cheinhos (exceto a Cabrita, que está com corpo de modelo). Mas a alegria e a intimidade são os mesmos. Aquele jeito que só eles têm de interagir com a plateia é tão característico que só cabe a eles. Mesmo outros programas, inclusive com Miguel Falabella, tentaram o método, mas parecia que não cabia a ninguém, exceto a este grupo.
 
Sinto falta do Riba e da Edileusa. Espero que os 4 episódios virem temporadas inteiras. Espero que a chatice da TV brasileira saia de da frente, porque o Sai de Baixo está de volta.




segunda-feira, 10 de junho de 2013

Será uma luz no fim deste túnel escuro, cansativo e cheirando a café chamado Jornalismo?

Fonte: internet


Eu demorei para entrar na faculdade. Prestei vestibular 4 vezes (Biologia, Biologia, Administração, Letras). Não estudei em nenhuma delas e, obviamente, não passei. Mas, hoje, vejo que isso foi bom. Não tinha ideia do que queria da vida. Em 2010, estava sem emprego e sem perspectivas. Para alguns, isso é ruim. Para mim, era o momento de decidir fazer qualquer coisa que eu quisesse.
E pensei... Pensei... Cogitei... Pesquisei... E, sem mais delongas, optei pelo Jornalismo. Estava em dúvidas entre PP e Jornalismo, já que sempre curti cinema e queria ter contato com esta área. O Jornalismo me pareceu mais abrangente e, confesso, o suposto glamour da profissão me envolveu.
2011. Primeiro dia de aula. Sala cheia. Todo mundo tímido. Apresentação do curso. Lindo! Conhecer a infraestrutura. Meu Deus, estou no paraíso!
Primeiras aulas, primeiras provas e trabalhos. Primeiras noites em claro. Primeiros litros seguidos de café. E tudo continuava lindo. Segundo período... Terceiro período... Quarto período... Quinto período. A maioria largou o curso. Professores vieram e foram. Deixaram suas marcas (para o bem ou para o mal). E o Jornalismo continua LINDO! Apaixonante! Viciante! A comunicação é fascinante. A teoria é linda! Já a prática...

Há um tempo venho tentando colocar em palavras o que penso sobre a ideia de que o "Jornalismo está morrendo". Não, amiguinhos. Não está. E lendo um texto publicado na última semana eu consegui vislumbrar um vulto deste corporativismo maldito que se apodera cada vez mais da função do jornalismo (sei que corro o risco de parecer comunista, O QUE NÃO SOU, mas o corporativismo é mesmo um grandessíssimo FDP, neste caso). Esta prática chamada de Jornalismo, mas feita para gerar lucros (tão somente) me fez brochar com relação à profissão. Se isso é ser jornalista, eu agradeço, mas passo. Só que, adivinhem? Isso não é o jornalismo em si, apenas um "modelo comercial de distribuição de informação".

Fonte: internet


Em seu texto "O Ficaralho", publicado no blog Casca de Besouro, Bruno Tortura fala sobre esta fundamental diferenciação entre o que, de fato, é jornalismo, e o que é apenas uma forma (decadente e burra) de distribuir informações. Sem mais delongas, segue o texto.

"Um Passaralho só não traz o inverno: Estadão, Trip, Folha de S. Paulo, Record. Todas empresas demitindo de uma vez dezenas de jornalistas e profissionais de mídia nas últimas semanas… e ainda aguardamos o profetizado Passaralho da Abril que, pelos rumores, vai decepar até 1000 funcionários e 10 títulos da editora. O que, tantos acreditam, vai levar à mendicância os já paupérrimos frilas. “RIP Jornalismo”, é o que tenho lido e escutado dos colegas nas redes e botecos.
Mas vamos apurar essa história direito…
É o jornalismo em si que está moribundo? Ou o modelo comercial de distribuição de informação?
É o ofício de catalizar o diálogo público com fatos e opiniões que está com os dias contados? Ou o pensamento analógico, ganancioso, baseado em números de circulação e venda de publicidade?
Não estaremos confundindo, reféns da tediosa periodicidade de publicações e salários, jornal com jornalismo?
Para mim, há uma maneira mais interessante, e realista, de entender a revoada dos Passaralhos.
Já vi e vivi demissões coletivas. E, aos poucos, deu para notar uma mudança crucial no Day After. Antes os deprimidos, os arrasados, os desamparados eram os que perderam a vaga. Eram como se tivessem sido explusos de uma festa que iria seguir sem eles. Hoje, a tristeza está bem mais do lado de quem ficou. Como se a festa estivesse, e está, do lado de fora.
Semana passada vi a alegria de amigos que perderam juntos o emprego, animados pela fronteira aberta. E vi a depressão, literalmente o choro dos que sobraram na redação, agora acumulando funções, fazendo o trabalho de 3, repetindo uma rotina que não parece ter qualquer propósito senão o precarizado salário. Ficou claro para mim.
As demissões são, na verdade, Ficaralhos. Se fode quem fica.
Creiam… Não é necessariamente uma tragédia ter tantos, e bons, jornalistas na rua sem muita chance de voltar a um emprego formal tão cedo. Pode ser, ao contrário, uma excelente notícia. O ambiente perfeito, na ausência de gabinetes e editores, para o jornalismo se reencontrar na rede e nas ruas. Há o potencial de uma idade de ouro da reportagem hoje em dia.
A consolidação das redes sociais, o hiperfluxo de informação, o streaming e a emergência de uma massa conectada pronta para repercutir e compartilhar notícias e histórias, deu ao veículo tradicional um papel cada vez mais dispensável. Mas pede ao repórter, ao fotógrafo, ao designer, ao colunista um papel cada vez mais ativo de oferecer matéria-prima e contexto para o diálogo público. Ao se confundir com um nome no expediente, ao se condicionar ao falso conforto de um salário, o jornalista vira às costas ao seu maior ativo, a autonomia. E acaba no confortável e cínico papel de vítima da “morte do jornalismo”.
Para mim uma coisa é clara: a rede vai matar o jornal para salvar o jornalismo.
Ok. Tudo muito bonito, muito estimulante. “Mas e o dinheiro”, perguntam os colegas, “onde está?”. Uma coisa eu garanto: não está nas redações. O pouco que sobrou não vai dar nem para a janta.
Eis a parte mais arriscada, e inevitável, da missão dos filhos do Passaralho. Criar um novo mercado para sustentar suas famílias e reportagens a partir da lógica de compartilhamento. Sem o antes conveniente e inevitável, a agora parasitário e dispensável, publisher.
Tenho certeza que é esse o sentimento, intuitivo ou não, de riscos e possibilidades que está dando essa felicidade súbita aos demitidos."

Entendeu? Não é o jornalismo que está morto. Por isso, há uma luz no fim deste túnel.

 "A esses eu faço o convite:
Semana que vem, terça-feira, dia 11 de junho, vou ajudar a promover junto com o Fora do Eixo e do Existe Amor em SP, uma reunião aberta com profissionais de mídia, desempregados ou a fim de se desempregar, para apresentar um projeto que vem sendo elaborado em fogo brando há mais de um ano. E que agora está no ponto para receber todos os que se animarem com a ideia: NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação).
Um grupo de comunicação amplo e descentralizado, a fim de explorar as possibilidades de cobertura, discussão, repercussão, remuneração e da radical liberdade de expressão que a rede oferece. Streaming, impressos, blogs, fotos, debates públicos sem o fantasma do lucro e do crescimento comercial como condições primordiais para o trabalho. Por enquanto, nosso melhor investimento é entender a frequente e saudável relação inversa entre saldo bancário e propósito.
Quem estiver a fim de conversar por favor me escreva e fique de olho nas minhas redes. Logo divulgo local e horário dessa primeira reunião."

Sim! Fiz propaganda do evento porque acredito que (só) é possível fazer jornalismo de verdade fora da grande mídia. Este jornalismo de essência, aquele jornalismo citado por Ciro Marcondes Filho em seu livro A Saga dos Cães Perdidos. Cães estes que estão cada vez mais cabisbaixos por conseguirem uma carreira meteórica na grande mídia, mas cada vez mais afastadas da arte do jornalismo de verdade.

Se eu optar pela atividade jornalística um dia, quero ser uma baita de uma cachorra, bem encontrada, daquelas que fazem questão de deixar seu recado para os desavisados pisarem e sentirem o cheiro que emana de um jornalismo bem feito.