quarta-feira, 20 de março de 2013

E o ENEM virou, definitivamente, piada! Só que não teve graça

Fonte: www.focacultural.com.br


Não consigo nem expressar em palavras indignação que senti ao ver aquela receita de miojo em meio à redação da prova do Exame Nacional do Ensino Médio. De início, fiquei indignada com o indivíduo que chegou a este nível de deboche com relação à educação. Confesso, queria dar uma lição de moral no tal rapaz. Mas, depois de discutir o assunto com alguns colegas, entendi que Carlos Guilherme Custodio Ferreira é, na verdade, o retrato do brasileiro indignado com a falta de estrutura deste país.

O brasileiro é visto como feliz, de bem com a vida, pacífico, etc. Mas estamos cansados da falta de investimento em setores básicos para o desenvolvimento da nação: educação, segurança, saúde, etc. O que o Carlos Guilherme fez é a mais profunda vontade de todo cidadão: EXPÔR PARA O MUNDO A INCOMPETÊNCIA E A MENTIRA DO “DESENVOLVIMENTO” QUE VIVEMOS.

A "receita de miojo" nada mais é do que uma simbologia perfeita de como o Governo do Brasil trata a educação: de forma negligente, desrespeitosa e desinteressada. E sabem o que é pior? A tentativa posterior de insultar nossa inteligência ao alegar que “o texto, em sua totalidade, não fugiu ao tema, e não feriu os direitos humanos. Tampouco cabe dizer que o participante teve a intenção de anular sua redação, uma vez que dissertou sobre o tema e não usou palavras ofensivas”.  Além do afamado miojo, temos o hino do Palmeiras. Más línguas dizem que os corretores do Enem são corinthianos, já que esta segunda redação recebeu nota menor.

Ouço constantemente algumas teorias de conspiração do tipo: “O governo não permite o crescimento da educação para que o povo fique emburrecido”. Diante destas patifarias, fica realmente difícil contradizer essas afirmações.

Há mais de 6 anos, tramita no Senado o Projeto de Lei nº 480/2007, de autoria do senador Cristovam Buarque, o qual torna a escola pública obrigatória para filhos de políticos em exercício de cargo público, porque “não se aceita que o Brasil tenha dois padrões de educação: um para os filhos de seus dirigentes, outro para os filhos do povo”. Lindo, né? Mas sabe onde está este projeto? Na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, para averiguação de constitucionalidade. E sabe qual é o parecer? INCONSTITUCIONAL! As razões são válidas, obviamente...

.., mas, ao não cumprir seu dever de fornecer educação ao seu cidadão, o Estado não age de forma inconstitucional também? Um trocadilho que também não tem a menor graça.

2 comentários:

  1. Nesse ponto nossos hermanos (apesar da crise) estão anos luz a nossa frente. Um guia lá em Buenos Aires mostrando um grande hospital público da capital, foi questionado se o hospital era bom. Ele respondeu que sim, era muito bom, já que o presidente da nação deveria por lei ser atendido em hospital público caso adoecesse.
    Seria engraçado se não fosse trágico esse caso das redações do Enem. Isso sem contar as redações que tiraram nota máxima com erros bizarros de português.

    ResponderExcluir
  2. Indignação é pouco, né? O que eu fiquei pensando, na verdade, foram nos textos que passaram com erros gravíssimos de ortografia - como enchergar. Não sei se simplesmente os corretores ignoram essas coisas ou se, com o nível da educação brasileira, nem mesmo eles sabem a diferença entre trousse e trouxe...

    ResponderExcluir