| Fonte: Internet |
Em meio a tantas polêmicas registradas em "facebooks" e "twiteres" da vida, fica difícil pensar com clareza sobre os assuntos propostos, sejam eles de ordem religiosa, política, econômica, entre outros. Somos bombardeados com variadas informações o tempo todo! Informações boas e ruins. Durante algum tempo eu tentei organizar as ideias para explicar que, na verdade, isso é sinal de algo bom. Mas não conseguia passar para texto o que ía em minha mente.
Hoje, no entanto, li com grande alívio e deleite uma reflexão de um pastor evangélico chamado Ed René Kivitz. Ele atua na Igreja Batista de Água Branca (IBAB), em São Paulo.
Faço questão de compartilhar com todos as sábias palavras de Kivitz e de lembrar que, ao contrário do que a maioria esmagadora das pessoas pensam, democracia não é só ter o direito de se expressar como quiser e ser respeitado por estas expressões, mas também é ter o DEVER de respeitar seu próximo.
Apesar de ser uma reflexão escrita por um pastor, ela se aplica a qualquer indivíduo pensante.
O DIREITO DOS ESTÚPIDOS E A LIBERDADE DOS LÚCIDOS
As mídias sociais são um espaço democrático. Não apenas os 140 caracteres do twitter e os posts nos blogs e páginas do Facebook, mas especialmente os RTs e comentários são uma celebração da liberdade de opinião como também e principalmente fazem valer em termos absolutos a máxima “quem fala o que quer ouve o que não quer”.
É bom que seja assim. Parafraseando meu cunhado, que comenta em humor politicamente incorreto sempre que ouve uma besteira, “é melhor ouvir isso do que ser surdo”, nas mídias sociais é melhor conviver com as barbaridades postadas do que dimunuir o espaço da troca de ideias e o fomento da construção coletiva do saber, ou cercear o direito à opinião e à palavra de quem quer que seja, inclusive dos idiotas, intolerantes, ignorantes, deselegantes e outros tais. O direito dos estúpidos é o preço da liberdade dos lúcidos – lembrando sempre que o lúcido de um é o estúpido de outro, e seu contrário.
Minha formação religiosa é cristã sob a ótica da Reforma Protestante. Mais precisamente de tradição batista, que se apoia em alguns poucos princípios fundamentais. Além dos dois eclesiásticos: a Igreja como comunidade autônoma, composta por pessoas convertidas e batizadas, e a separação entre a Igreja e o Estado, também cremos que a Bíblia é a única autoridade em termos de fé e ética, e no sacerdócio universal de todos os cristãos, que implica a liberdade de consciência, a responsabilidade do indivíduo diante de Deus, e o livre exame das Escrituras.
Esses princípios se alinham com as propostas do Iluminismo, que prestou um serviço extraordinário à cultura ocidental, ao estabelecer a distinção dos campos: religião e ciência, fé e razão. Infelizmente – e não sem motivos, a distinção é confundida ou transformada em antagonismo. Mas não precisa necessariamente ser assim. A religião se sustenta em axiomas que extrapolam o método racional científico, mas a experiência de fé não é irracional – bichos não se ajoelham para rezar. Toda vez que o ser humano abre mão da razão, em vez de chegar à fé, e a uma experiência espiritual emancipadora, libertadora e favorecedora da autonomia - "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", torna-se vítima do obscurantismo dogmático e da superstição. A ignorância, a crença irrefletida e a recusa ao debate não são compatíveis com a espiritualidade baseada na consciência que examina livremente um livro considerado sagrado e singular.
Como bem disse o mestre John Stott, “crer é também pensar”. Portanto, fazer pensar é um serviço que se presta à fé. Suscitar o debate e a reflexão é um caminho de evangelização. Puxar o elástico do debate até os limites que se estendem para fora da zona de conforto dos clichês tomados como verdadeiros pela repitição exaustiva é uma forma de atender ao convite de um Deus que gosta de pensar e conversar, e pela boca do profeta Isaías a todos convida dizendo “Venham, sentem aqui comigo, vamos discutir esse assunto”.
*Título do texto de Ed René Kivitz
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